Paradoxos a vida moderna – correndo no mesmo lugar

Um dos maiores paradoxos da vida moderna, a meu ver, são as academias. Criamos controles remotos, para não precisar levantar do sofá e aumentar o volume – o que é realmente demasiadamente incômodo. Também usamos os meios de transporte mais rápidos e eficientes, para podermos chegar rápido e o mais perto possível do nosso destino. Andar mais de dois quarteirões? Você está brincando!

Botões, manivelas, alavancas, rodas, raios laser, ondas eletromagnéticas, infravermelho, estacionamentos, restaurantes, lavanderias e tudo-express formam o cardápio que temos ao nosso dispor em sistema muito bem bolado para não termos de levantar o dedo mais do que o necessário.

Resultado: muito conforto. A maior parte dos citadinos trabalha sentado, mexendo apenas alguns músculos dos dedos no teclado e no mouse. Ah, claro, e alguns músculos do braço também para levanta-lo até o botão da máquina de café e para pegar o copinho de plástico. Pegamos um prato pronto e sentamos para comer. Na hora de ir embora do trabalho, senta-se no carro ou metrô até chegar em casa. Onde, sentados, ou deitados, vamos descansar na frente da tv, do computador ou lendo. Esse é o estilo de vida que parece continuar crescendo na nossa sociedade.

O conforto é grande, o que em vão tenta compensar outros valores da vida, que estão em declínio: amizades, amor, boas conversas, contato com a natureza.

E as calorias do bombom e do frango a passarinho se acumulando. E os músculos amolecendo, os nervos se enrijecendo e as vértebras se amontoando umas sobre as outras. E a dor crescendo – de coluna e de cabeça, e o nível de estresse subindo.

Ora, o que seria de nós se não fossem as academias e as pistas de corrida nas praças das cidades! Subitamente resolvemos escutar o que dizem todas as notícias por aí e decidimos, entre um gole e outro da champagne do reveillon, mudar de vida e deixar o exército dos sedentários. Compramos um tênis bacana, uma roupa de ginástica ela vamos nós, seres humanos conscientes que se preocupam com sua saúde.

E em vez de andarmos para ir ao trabalho, corremos em esteiras. Em lugar carregar pacotes de supermercado, levantamos pesos coloridos emborrachados. Em vez de levarmos uma vida e termos empregos mais equilibrados entre mente e corpo, praticamos ioga e pilates e rpg. Pagando para isso. Separando horas do dia – ah, tempo, tempo, tempo, meu reino por duas horas a mais ao dia! – para compensar o que era natural e que desacompensamos.

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